28/08/2012

SER CRISTÃO

Ed René Kivitz, em “Outra Espiritualidade – fé, graça e resistência”, Editora Mundo Cristão
Transcrição; Euler P Campos
Os textos das citações bíblicas foram “encaixados” por nós.
O Evangelho tem muitas versões, cada uma com suas ênfases e conseqüências. Algumas versões são mutuamente excludentes; outras, complementares – se enriquecem mutuamente – ou paralelas – cada um vive de um jeito a mesma fé, sem que ninguém esteja totalmente certo nem totalmente errado. Diante disso, tenho buscado responder a mim mesmo o que significa ser cristão para que possa, mediante a graça divina, tentar viver de modo coerente. Eis alguns balizamentos que encontrei nas Escrituras Sagradas para minha peregrinação. Espero que lhe sejam úteis em sua jornada.
João 3:16. Ser cristão é experimentar a vida com qualidade divina no contexto de um relacionamento dinâmico através em Jesus Cristo.
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
2 Coríntios 3:18. Ser cristão é ser transformado gradativamente pelo Espírito Santo segundo a imagem de Jesus Cristo.
E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.”
2 Coríntios 5:14-15. Ser cristão é viver apenas e tão-somente para fazer a vontade de Jesus Cristo.
“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”.
Mateus 16:24.Ser cristão é abandonar o egocentrismo para se identificar com a pessoa e a obra de Jesus Cristo em sua totalidade.
“Então Jesus disse aos seus discípulos: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
2 Timóteo 3:16-17.Ser cristão é viver sob a obsessão de ser como Cristo e fazer mais como Cristo.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra
Romanos 8:28-30. Ser cristão é se relacionar com a vida crendo que todas as circunstâncias podem ser usadas por Deus para nos fazer iguais a Jesus Cristo.
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.”
Colossenses 1:13. Ser cristão é ser liberto por Deus de uma vida sob ódio do Diabo para uma vida sob o amor de Jesus Cristo.
“Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado”
Lucas 24:45-47. Ser cristão é abandonar a vida egocêntrica e receber perdão para os pecados conforme o discernimento do significado eterno da morte e da ressurreição de Jesus.
“Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras. E lhes disse: “Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”
Atos 2:38. Ser cristão é explicitar o abandono da vida para si mesmo a fim de receber perdão dos pecados e entrar na comunhão em Deus através da participação no Espírito Santo.
“Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.”
Mateus 4:1-11.Ser cristão é descansar nas promessas divinas, confiar no caráter de Deus e se submeter aos propósitos dele.
Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O tentador aproximou-se dele e disse: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Jesus respondeu:“Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’ Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: “ ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’ Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’ Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo isto te darei, se te prostrares e me adorares”. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto’ Então o Diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram.”
João 1:12. Ser cristão é receber a pessoa e obra de Jesus Cristo para ser feito filho de Deus.
“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,”
2 Coríntios 5:17. Ser cristão é ser uma nova criatura coletiva.
“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!”
Mateus 16:16. Ser cristão é adorar Jesus Cristo como Deus.
“Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Filipenses 2:9-11. Ser cristão é viver em absoluta submissão a Jesus Cristo.
“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”
Mateus 28:18-20. Ser cristão é andar nos passos de Jesus, praticando tudo quanto ele ensinou.
“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.
Efésios 2:1-7. Ser cristão é ser salvo da ira divina que repousa sobre todos os que, iludidos, vivem para o Diabo, pensando que vivem para si mesmos.
“Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, 7 para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus.”
Efésios 2:8-10.Ser cristão é desfrutar da imerecida oportunidade de viver para Deus através da fé em Jesus Cristo.
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.”
Romanos 8:1. Ser cristão é desfrutar da liberdade da condenação de ser quem somos, mediante a fé em Jesus Cristo, que conquistou a possibilidade de sermos quem Deus quer que sejamos.
“Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”
Lucas 10:25-37. Ser cristão é amar o próximo com o amor de Cristo.
“Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou:“Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” “O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus.“Como você a lê?” Ele respondeu: “ ‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’ Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá”. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes.Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. Quando eu voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’. “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” “Aquele que teve misericórdia dele”,respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”.
1 João 1:7. Ser cristão é ter todas as ofensas praticados contra Deus anuladas pelo sangue de Jesus Cristo.
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”
Colossenses 2:13-15. Ser cristão é estar livre do passado de ofensas contra Deus mediante a obra de Jesus Cristo na cruz, que satisfez plenamente a justiça de Deus e venceu todos os poderes espirituais da maldade.
“Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz.”
Gálatas 3:11-14. Ser cristão é entrar através da fé na comunhão do Espírito santo pela porta da justiça de Jesus Cristo, que liberta da maldição imposta pela Lei.
“É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé”. A Lei não é baseada na fé; ao contrário, “quem praticar estas coisas, por elas viverá”. Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro” Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.”
2 Coríntios 2:14-16. Ser cristão é ser uma expressão de Jesus Cristo no mundo.
“Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento; porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles, fragrância de vida. Mas quem está capacitado para tanto?”
1 Tessalonicenses 1:9.Ser cristão é abandonar aos ídolos para servir exclusivamente ao Deus vivo e verdadeiro.
“... pois eles mesmos relatam de que maneira vocês nos receberam, e como se voltaram para Deus, deixando os ídolos a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro”
Judas 24-25. Ser cristão é ser livre da necessidade de ser alguma coisa.
“Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.”
 
 
Pr Euler P. Campos

CURA PARA LIBERTAÇÃO SUPÕE CIRCUNCISÃO

“Todos os reis amorreus que habitavam a oeste do Jordão e todos os reis cananeus que viviam ao longo do litoral souberam como o SENHOR tinha secado o Jordão diante dos israelitas até que tivéssemos atravessado. Por isso, desanimaram-se e perderam a coragem de enfrentar os israelitas. Naquela ocasião o SENHOR disse a Josué: “Faça facas de pedra e circuncide os israelitas”. Josué fez facas de pedra e circuncidou os israelitas em Gibeate-Aralotec. Ele fez isso porque todos os homens aptos para a guerra morreram no deserto depois de terem saído do Egito. Todos os que saíram haviam sido circuncidados, mas todos os que nasceram no deserto, no caminho, depois da saída do Egito, não passaram pela circuncisão. Os israelitas andaram quarenta anos pelo deserto, até que todos os guerreiros que tinham saído do Egito morressem, visto que não tinham obedecido ao SENHOR. Pois o SENHOR lhes havia jurado que não veriam a terra que prometera aos seus antepassados que nos daria, terra onde manam leite e mel. Assim, em lugar deles colocou os seus filhos, e estes foram os que Josué circuncidou. Ainda estavam incircuncisos porque não tinham sido circuncidados durante a viagem. E, depois que a nação inteira foi circuncidada, eles ficaram onde estavam, no acampamento, até se recuperarem. Então o SENHOR disse a Josué: “Hoje removi de vocês a humilhação sofrida no Egito”. Por isso até hoje o lugar se chama Gilgal. Na tarde do décimo quarto dia do mês, enquanto estavam acampados em Gilgal, na planície de Jericó, os israelitas celebraram a Páscoa.” – Jousé 5:1-10
.
A circuncisão marcava toda pessoa do sexo masculino como um filho de Abraão consagrado ao serviço do Senhor. Era o “sinal da aliança” instituído por Deus, e significava que Abraão se comprometera com o Senhor por meio de um pacto, segundo o qual somente o Senhor seria o seu Deus, a quem Abraão serviria e em quem confiaria. Veja: “Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne. Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês” – Gênesis 17:10-11. Pelo que lemos no texto de abertura, a circuncisão era uma condição para que o povo tivesse direito a tomar posse da Terra da Promessa. Era condição para a celebração da Páscoa que é o mesmo que passar da Terra da escravidão para a Terra da liberdade. Leiam o que está em Êxodo12:47-48: “Qualquer estrangeiro residente entre vocês que quiser celebrar a Páscoa do SENHOR terá que circuncidar todos os do sexo masculino da sua família; então poderá participar como o natural da terra. Nenhum incircunciso poderá participar. A mesma lei se aplicará ao natural da terra e ao estrangeiro residente”.
Todos que saíram do Egito tinham sido circuncidados, mas, pelas contínuas desobediências, nenhum entrou na terra prometida “onde manavam leite e mel”.Por não terem sido fiéis ao pacto que fizeram no tempo de Abraão, a terra da libertação foi fechada para eles.
Josué estava, agora, com os filhos dos que saíram do Egito e que não tinham ainda sido circuncidados. Eles estavam na Terra Prometida conduzidos por Josué. Mas não estavam ainda espiritualmente preparados nem haviam ainda celebrado a Páscoa, ou seja, tomado posse da terra. Chegaram ao território da liberdade. Mas, a terra ainda não era deles. Para que isto acontecesse, Deus exigiu que Josué os circuncidasse.
Nós entramos na Terra da Libertação conduzidos pelo Senhor Jesus. Josué substituiu Moisés e conduziu o povo de Deus. Hoje, Jesus, em obediência ao Pai, nos conduziu e continua nos conduzindo, em um contínuo processo de páscoa. [É interessante lembrar que a raiz do nome Josué é a mesma do nome Jesus]. A morte de Jesus nos colocou na Nova Terra Prometida, mas a caminhada não terminou.
Nós saímos do Egito [símbolo de escravidão] quando nascemos de novo. Podemos ter nascidos de novo, mas ainda não somos livres por inteiro. Ainda não somos livres em tudo. Quantas marcas da nossa história de vida e do mundo ainda carregamos! Ainda podemos não termos convertidos. Nascemos de novo no espírito, mas a conversão se dá na alma. E se a alma não se converter o espírito se enfraquece. É por isso que muitos de nós que nascemos de novo continuamos crianças no espírito. Nossa caminhada, ainda continua embaraçada. Se pela graça, nascemos. Pela graça e pelo nosso esforço crescemos.
Este esforço significa a contínua busca da cura de nossas manchas espirituais [ou pobrezas espirituais] e de nossas enfermidades psíquicas e sociais. Não basta ou, melhor, não se consegue ser pleno no espírito se a alma e o coração permanecerem doentes. O fortalecimento do espírito é de responsabilidade do Espírito, desde que o permitamos. Mas, a cura da alma e do coração depende de nossa vontade com a segurança da nossa dependência de Deus, uma vez que “tudo posso naquele em quem confio” – Deus que me fortalece. O que queremos dizer é que sem a libertação, que depende de curas procuradas e processadas, não conseguimos tomar posse de t-o-d-a a graça que Deus nos prometeu dar. De toda a Terra da Promessa.
Para melhor entendermos que estamos querendo dizer, vamos reforçar nosso pensamento: Não tomamos posse de toda a Terra da Graça, apesar de nascermos de novo porque não crescemos. Nascemos de novo, mas não conseguimos andar na liberdade, porque temos pés amarrados com laços do mundo, com laços da alma não suficientemente bem tratada. Alma é infectada de feridas não curadas, de pecados não confessados. Alma com eternas amarguras. Almas escravizadas pelo orgulho, pela soberba. Coração infartado porque o sangue do perdão não corre ou está coagulado. Coração que não bate de tanta frieza com Deus, com o cônjuge, com os filhos, com os irmãos de igreja.
Não tomamos posse de Toda a Terra da Libertação porque resistimos a sermos circuncidados. A proposta deste projeto [LIBERTAÇÃO PELA GRAÇA][1]é nos submetermos à circuncisão. E Deus quer usar o irmão para nos circuncidar.
A circuncisão para o judeu exigia duas coisas: Ficar nu e confiar na pessoa que faria a cirurgia. Confiar que o cirurgião não iria cortar o testículo e, sim, o pênis. Era cortar só uma pelinha. Por isso, a faca tinha que ser de pedra e não, de metal. A faca de pedra era mais eficiente. Para o judeu a circuncisão era um sinal de submissão ao conserto. Querer ser curado é aceitar ser submisso ao conserto.
Se verdadeiramente, nós queremos ser curados para gozarmos da libertação temos que nos submeter a ficarmos nus diante de Deus. Mas Deus quer que fiquemos nus diante dos irmãos. É o mesmo que abrirmos nossa alma inteira ao irmão como “facas” de Deus para nos circuncidar. Na Bíblia, mais especificamente em Tiago 5 encontramos este preceito: “... confessem os seus pecados [seus traumas, suas mágoas, seus desacertos espirituais] uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados.


[1]Libertação pela Graça – são nossas reuniões de casais focadas na busca da cura espiritual e emocional mediante a confissão de nossas fraquezas [traumas, frustrações, mágoas, feridas, traições e etc]

--
Euler P Campos

QUANDO A BOCA CALA... O CORPO GRITA!!

Nelson Torres
Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas
‘Equívocos’,
existem semáforos chamados ‘Amigos’, luzes de precaução chamadas
‘Família’,
e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada
‘Decisão’,
um potente motor chamado ‘Amor’, um bom seguro chamado ‘FÉ’,
abundante combustível chamado ‘Paciência’.
Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS!
--
Euler P Campos

LEIAM E REFLITAM COMO FAZEMOS COM OS NOSSOS FILHOS *

> *Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de gerente
> de uma grande empresa.*
>
> *Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última, tomando a última
> decisão.*
>
> *O diretor descobriu, através do currículo, que as suas realizações
> acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até à
> pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse pontuado com
> nota máxima.*
>
> *O diretor perguntou, "Você obteve alguma bolsa na escola?"*
>
> *O jovem respondeu, "nenhuma".*
>
> *O diretor perguntou, "Foi seu pai quem pagou as suas mensalidades ?" O
> jovem respondeu, "O meu pai faleceu quando eu tinha apenas um ano, foi a
> minha mãe quem pagou as minhas mensalidades."*
>
> *O diretor perguntou, "Onde trabalha a sua mãe?" O jovem respondeu: "A minha
> mãe lava roupa."*
>
> *O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem mostrou um
> par de mãos macias e perfeitas.*
>
> *O diretor perguntou, "Alguma vez ajudou sua mãe lavar as roupas?" O jovem
> respondeu: "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse mais
> livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu."*
>
> *O diretor disse, "Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltar, vá e limpe as
> mãos da sua mãe e depois venha me ver amanhã de manhã."*
>
> *O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou em
> casa, pediu, feliz, à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou
> estranho, estava feliz, mas com um misto de sentimentos e mostrou as suas
> mãos ao filho.*
>
> *O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe enquanto
> o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito
> enrugadas e havia demasiadas contusões nelas. Algumas eram tão dolorosas que
> a mãe se queixava quando as limpava com água.*
>
> *Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que
> lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago todos os custos de estudos. As
> contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação,
> excelência acadêmica e o seu futuro. Após acabar de limpar as mãos da mãe, o
> jovem silenciosamente lavou as restantes roupas pela sua mãe.*
>
> *Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.*
>
> *Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.*
>
> *O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou, "Diz-me, o
> que fez e que aprendeu ontem em sua casa?"*
>
> *O jovem respondeu, "Eu limpei as mãos da minha mãe e ainda acabei de lavar
> as roupas que sobraram."*
> * *
> *O diretor pediu, "Por favor, diz-me o que sentiu."*
>
> *O jovem disse "Em primeiro lugar, agora sei o que tem real valor. Sem a
> minha mãe, não haveria um eu com o sucesso de hoje. Segundo, ao trabalhar e
> ajudar a minha mãe ontem, só então percebi quanta dificuldade e dureza
> existe para ter tudo pronto. Em terceiro lugar, somente agora consegui
> alcançar a importância e valor de uma relação familiar."*
>
> *O diretor disse, "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero
> recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que
> conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas e uma pessoa que
> não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Está
> contratado."*
>
> *Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus
> subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e como equipe.
> O desempenho da empresa melhorou tremendamente.*
>
> *Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis se
> desenvolverá mentalmente e sempre se colocará em primeiro. Ignorará os
> esforços dos seus pais e quando começar a trabalhar, assumirá que todas as
> pessoas o devem ouvir e quando se tornar gerente, nunca saberá o sofrimento
> dos seus empregados e sempre culpará os outros. Para este tipo de pessoas,
> que podem ser boas academicamente, podem ser bem sucedidas por um tempo, mas
> eventualmente não sentirão a sensação de objetivo atingido. Irão resmungar,
> estar cheios de ódio e lutar por mais.*
>
> *Nestas condições, se somos esse tipo de pais, mostramos amor ou estamos a
> destruir o nosso filho?*
>
> *Pode-se deixar seu filho viver numa grande casa, ter boas refeições,
> aprender piano e ver televisão numa grande TV em plasma. Mas quando cortar a
> grama, por favor, deixe-o experimentar isso. Depois da refeição, deixe-o
> lavar o seu prato juntamente com os seus irmãos e irmãs. Deixe-o guardar
> seus brinquedos e arrumar sua própria cama. Isto não é porque não tem
> dinheiro para contratar uma empregada, mas porque o quer é amar e ensinar
> como deve de ser. Quer que ele entenda que não interessa o quão ricos os
> seus pais são, pois um dia ele irá envelhecer, tal como a mãe daquele jovem.
> A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é a apreciar o
> esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade de
> trabalhar com os outros para fazer as coisas, para conquistar as coisas.*
>
> *Pense bem, quem são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por você?*
>
> *O valor de nossos pais ...*
>
> *Um dos mais bonitos textos sobre educação familiar que já li. Leitura
> obrigatória para nós pais e, principalmente, para os filhos de todos os
> pais.*



Pr Euler P. Campos

Coisas que declaramos crer, mas que provavelmente não cremos

1) Declaramos acreditar que, a Bíblia é a palavra de Deus – Mas quantas horas por dia passamos lendo, meditando e aprendendo com a Bíblia?
2) Declaramos acreditar na missão da Igreja – Mas quantas almas ganhamos para Cristo? – O que temos feito realmente por missões? – Quanto tempo passamos em oração pelas almas?
3) Declaramos acreditar que, buscando o Reino de Deus e a sua justiça, as demais coisas são acrescentadas – Mas porque a maioria dos cristãos passam a maior parte do tempo buscando as demais coisas?
4) Declaramos acreditar que existe o inferno – Mas qual tem sido a nossa urgência diante desta declaração em pregar o evangelho de Cristo para regatar vidas da perdição eterna?
5) Declaramos acreditar que existe o céu – Mas porque não vivemos na terra com a alegria, a esperança e a fé daqueles que herdarão a eternidade com Cristo? Uma vez que, infelizmente, muitas pessoas não desejam serem cristãos pelo péssimo testemunho de alguns que cantam “Aleluia para o céu eu sigo caminhando”.
6) Declaramos acreditar que a Igreja é um corpo e uma família –Mas porque muitas pessoas que se dizem igreja, vivem se gladiando e guerreando entre si?
7) Declaramos acreditar no poder da oração – Mas quanto tempo dedicamos a orar e falar com Deus?
8 -Declaramos acreditar nos estragos causados pelo pecado – Mas quanto vigiamos e lutamos contra o pecado?
9) Declaramos acreditar no arrebatamento da Igreja – Mas porque muitos cristão vivem como se nunca deixariam o mundo?
10) Declaramos ser amigos de Cristo – Mas a declaração de Jesus é está: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (João 15.14)
Oração: Pai, que as nossas declarações de fé não sejam apenas expressões ideológicas condicionadas à religiosidade, mas que antes, seja realmente a expressão de nossas vidas em gratidão pelo Teu amor revelado em Cristo Jesus, nosso Senhor!

DISCIPLINA E ESTRUTURA


“...Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.”[Efésios 4:15,16]. “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. “ [1 Pedro 4:10]. “Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro faz parte de todos os outros. Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada....” [Romanos 12:4-6]
MINHA INTRODUÇÃO: Este texto é de Henry Cloud em seu livro “A CHAVE DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL E EMOCIONAL. Este, que vamos ler e estudar, faz parte do texto “RELACIONAMENTO – PLANO B” que já enviei a todos. O autor, aproveitando o testemunho de seu aconselhamento a um amigo – Jerry – vai, nos dá uma lição que desconhecemos ou não damos a mínima atenção. Grupos se criam no intento de oportunizar tempo de recuperação e cura espirituais, conjugais e emocionais-afetivas. Com o tempo, por falta de DISCIPLINA E DE COMPROMISSO o grupo continua, simplesmente, como uma reunião que, aos poucos perde o sentido. Pessoas que se reúnem por reunirem, desde que não aparece uma razão “mais interessante”. Vamos ler e conversar. Creio que chegou o momento de pararmos e trocarmos idéias sobre até onde crescemos e até onde não crescemos e se continuamos estabilizados.
- Eu só preciso de mais autodisciplina – Jerry me disse – Sei que tenho todo o meu potencial para alcançar os meus objetivos, mas parece que não consigo me determinar a fazer tudo que tenho de fazer.
- E onde você vai conseguir essa “autodisciplina”? – Perguntei.
- O que você quer dizer com “onde eu vou consegui-la”?
- Ora, exatamente o que disse. Você não tem nenhuma autodisciplina. Se tivesse, teria feito as coisas que não fez. Portanto, concordo que você precisa de “autodisciplina”. Apenas gostaria de saber onde você irá consegui-la, porque obviamente não a tem. E já que não a tem para dar a si mesmo, gostaria de saber onde vai consegui-la.
- Vou aprender a ser disciplinado.
- Você não está entendendo. Se pudesse disciplinar a si mesmo, não precisaria de autodisciplina. Você a teria. Mas não tem. Então, mais uma vez, pergunto: onde você irá consegui-la.
Ele olhou para mim com uma expressão de quem acabou de fazer uma descoberta, mas foi pego no pulo. Dava para ver que ele tinha entendido. Suas chances de disciplinar a si mesmo eram nulas. Mais um dia de ilusão, apenas o levaria a outro fracasso.
- Acho que não sei. Onde posso consegui-la? – ele perguntou timidamente.
Bem, não é difícil de adivinhar. Todo mundo consegue da mesma forma. A autodisciplina é sempre fruto da “disciplina do outro”. Algumas pessoas são disciplinadas por outras desde criança e, depois, interiorizam a disciplina em seu caráter. Elas passam a possuí-la. Outras não são disciplinadas no início da vida e só ganham autodisciplina quando aprendem com os outros e a interiorizam e assimilam. Não é uma coisa do outro mundo, apenas a maneira que Deus planejou para o nosso crescimento. Os outros nos disciplinam e, então, nós aprendemos a fazer isso sozinho. É como todas as outras coisas da vida: aprendemos o que recebemos dos outros, [como está escrito em 1 Coríntios 4:7.
- Como? Como posso ser disciplinado pelos outros?
- Agora você fez a pergunta de um milhão de dólares e se entender a resposta e fizer isso, terá a disciplina que está buscando.
Continuamos a conversar e analisarmos como esse processo acontece exatamente. Jerry tinha de encontrar respaldo com um parceiro responsabilizador, entrar para um grupo que lhe oferecesse tarefas específicas, obter correção e uma análise sobre o cumprimento das tarefas, sofrer as conseqüências quando não agisse corretamente, submeter-se à estrutura das reuniões de grupo a qualquer custo, ligar para o seu amigo quando se sentisse tentado a fraquejar e conseguir o apoio necessário para se sentir motivado, superar seus medos e resistências e curar a dor que o levou à irresponsabilidade entre outras coisas.
Com a estrutura de suas tarefas, as reuniões de grupo, a submissão à estrutura, o respaldo do seu parceiro e uma análise sobre tudo isso, Jerry começou a interiorizar o que sua alma nunca teve: disciplina. Finalmente, ele a adquiriu, mas conseguiu com os outros. Como diz Hebreus 12:11; “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados”. Ele tinha de ser “exercitado por ela”, e não fazer isso sozinho. E o Corpo de Cristo foi o agente disciplinar.
Um dos sinais sérios de grupos que se “reúnem por reunirem” é o não levar a sério a motivação e o objetivo que criaram o grupo – células, encontros e outros. NÃO HÁ DISCIPLINA. Não há um sério compromisso: Horário não é respeitado; não se faz preparação para a reunião; sugestões são, apenas, sugestões; as ausências não são comunicadas; as tarefas solicitadas não são feitas, as dificuldades pessoais não são compartilhadas. É assim que os grupos não produzem curas e não concorrem para o crescimento. Não há cura nem crescimento sem disciplina. Uma pergunta: Com sinceridade, nós que estamos nos reunindo há um bom tempo, nos encaixamos neste perfil?
Jesus explica, mais tarde, o papel disciplinar do Corpo em Mateus 18:15-17 quando diz:
“Se seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um dos dois outros, de modo que “qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas”. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano”.
O Plano A de Deus, “estar presente”, opera quando seu Corpo se une para ajudar alguém a assumir o controle de sua vida. Esse é o papel do Corpo na disciplina: ajudar as pessoas a recuperarem a liberdade [ou colher o “fruto de justiça e paz”] que se ganha com o autocontrole. A Bíblia diz em vários momentos, como em Mateus 18:15-16; Gálatas 1:2; Tito 3:q0, que devemos buscar disciplina, estrutura e correção com as pessoas que Deus nos dá e que teremos problema se não o fizermos. “O zombador não gosta de quem o corrige, nem procura a ajuda do sábio” - Provérbios 15:12.
Portanto, quando tentar ganhar autocontrole sobre alguma área em sua vida, considere a função persistente da disciplina. E se você estiver ajudando outras pessoas a crescer, inclua o papel da “disciplina do outro” na receita, caso contrário o crescimento estagnará. Seja individualmente ou num grupo, precisamos de disciplina, estrutura e correção que os outros nos proporcionam

07/05/2012

JESUS E O REINO DE DEUS


Marcos – o evangelista – resume a pregação de Jesus, na Galileia em uma frase: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” – Mc 1:15.

Todo o programa do Messias está contido nestas poucas palavras que, depois de indicarem a ideia fundamental do cristianismo – o estabelecimento do reino de Deus na terra -, assinalam as condições preliminares e essenciais da saúde que o messias trouxe: a fé e a conversão. Que profundidade na primeira proposição: O tempo está cumprido!

O que significa, porém, o reino dos céus ou o reino de Deus, cujo estabelecimento Jesus, depois de João Batista, os apóstolos com seu Mestre – Mt 10:7; Lc 10:9 – e também depois dele, não cessariam de pregar e propagar com todas as suas forças? Por ser elemento principal da doutrina pregada pelo Salvador, importa explicar sua natureza.

Acabamos de mencionar duas expressões que encontramos nos evangelhos. Comecemos por examiná-las. A primeira, reino dos céus, é encontrada apenas no evangelho de Mateus (há trinta e uma referências). Marcos e Lucas só empregam a segunda expressão, reino de Deus. Em Marcos, há quinze referências; em Lucas, trinta e duas; em Mateus há cinco – Mt 6:33; 12:28; 19:24; 21:31.43; em João, duas – Jo 3:3-5; 18:36; em Atos dos Apóstolos, seis – At 1:3; 8:12; 14:22; 19:8: 20:25; 28:23.31; nas epístolas de Paulo, oito – Rm 14:17; 1 Co 4:20; 6:9-10; 15:50; Gl 5:21; Cl 4:11; 2 Ts 5:1.

Graças a isto, vemos que a ideia deste reino celestial e divino constitui o alicerce da revelação evangélica. O reino de Deus foi o tema das primeiras pregações de Jesus, do qual falou frequentemente em toda a sua vida pub liça, e deste mesmo assunto falou aos seus discípulos horas antes de sua morte – Mt 26:29; Mc 14:25.

Nenhuma dessas duas expressões oferece dificuldade. O reino dos céus é, conforme já ensinaram os mais antigos escritores da Igreja, um reino instituído pelo céu, que se inclina e conduz ao céu. É celestial por sua origem, por sua finalidade, por suas leis, por sua consumação e, finalmente, por seu Rei, que é o Rei eterno dos séculos.

O reino de Deus, bem distinto dos reinos da terra, é um reino fundado por este supremo Senhor; um reino no qual só ele exerce legítimo senhorio. Mas convém observar que a palavra grega reino, calcada na hebraica malkut, teria sido melhor traduzida aqui por governo ou reinado, em vez de por reino.

Do reinado de Deus e de seu governo real, foi, pois, o que Jesus quis falar, pelo menos na maioria das vezes.
Costuma-se admitir que as duas expressões reino dos céus e reino de Deus são equivalentes, pois Mateus usa as duas sem fazer nenhuma distinção entre elas. Conforme o parecer dos melhores intérpretes, a primeira expressão, reino dos céus, é a forma primitiva que Jesus empregou mais frequentemente, e era então muito comum entre os judeus. Marcos. Lucas e Paulo a modificaram levemente, a fim de torna-la mais int4eligível aos cristãos greco-romanos.

O reino dos céus é uma ideai religiosa fundamental que foi enunciada de maneira simples nos livros do Antigo Testamento e se desenvolveu logo, com muita rapidez, e quase sempre e de modo perigoso, nos escritos rabínicos, para manifestar-se, finalmente, em plena luz da Nova Aliança.

Um simples olhar na literatura religiosa de Israel, e depois nos evangelhos, convence-nos desse triplo fato. É, em primeiro lugar, verdade averiguada que a ideia de reinado absoluto de Deus harmoniza-se com o conteúdo do Antigo Testamento em todas as fases de sua história. Esse domínio se mostra desde o princípio da existência do mundo. Assim que Deus criou os seres humanos livres, capazes de conhecê-lo e amá-lo, passou a existir imediatamente de fato um reino cujo único Senhor era ele, Deus. Tudo era seu e dependia de sua providência. Foi, a princípio, um reino santíssimo, enquanto Adão e Eva permaneceram submissos às ordens divinas; mas, infelizmente, devido à desobediência do primeiro casal, o pecado entrou nesse reino.

O mundo teria sido transformado em reino de Satanás se o Criador, por sua imensa misericórdia, não tivesse providenciado remédio para salvar a mísera linhagem humana, essa “massa estragada”, conforme a chamou Agostinho. Graças ao plano divino, o reino de Cristo começou em um sentido amplo, com a primeira profecia messiânica – Gn 3:14-15. Mas houve dois longos períodos de preparação: o dos patriarcas e o da teocracia judaica.

Durante a época patriarcal o reino de Deus esteve como que latente na alma daqueles que o livro de Gênesis chama de filhos de Deus – Gn 6:2. Depois, manifestou-se mais claramente na teocracia, quando Senhor resolveu escolher os hebreus como seu povo predileto e estabeleceu um concerto com eles, no Sinai. Uma aliança solene por meio da qual, bem antes desse período, o Senhor reinou sobre eles de modo particularíssimo. Foi o próprio Deus quem ditou a Moisés a legislação pela qual queria governá-los. Ao longo de sua história, renovou-lhes suas ordens por intermédio dos profetas. Seus líderes foram juízes e reis que “se sentavam no trono do reino de Jeová”, em seu nome e como seus representantes. O governo divino era o fundamento de toda a teocracia. O Senhor tinha seu palácio no templo de Jerusalém, e os sacerdotes e os levitas eram seus primeiros-ministros.

No entanto, sobretudo desde Davi, esta ideia se particularizou ainda mais, e o reino de Deus se apresentou mais ostensivamente como sendo o reino do Messias, cujo esplendoroso quadro as profecias esboçaram. Segundo essas profecias, haveria de ser um reino espiritual, desembaraçado de qualquer elemento político ou terreno e tão vasto como o mundo, pois todos os reis da terra e todas as nações seriam iluminados com sua luz. Mesmo no tempo das humilhações Fo deserto, quando tudo parecia para sempre perdido, os profetas proclamaram o futuro restabelecimento desse reino venturoso – Dn 2:44; Jr 3:13-17; 30:16-23; Sf 3:8-20; Zc 14:9.

Depois do exílio, a noção de reino dos céus tornou-se mais viva do que nunca. Os rabinos o mencionavam com frequência, os livros apocalípticos o invocavam com veemente desejos. Em sua devoção da manhã e da tarde, todo israelita piedoso orava, e ainda ora, usando uma fórmula por meio da qual toma sobre si o jugo do reino. O reino dos céus estava no pensamento de todos; dele se falava em todas as conversas; era uma ideia corrente.

Temos, porém, comprovado, fartamente, em diversas ocasiões, como essa ideia havia sido falsificada gradualmente. Contudo, algumas almas santas a haviam conservado em toda a sua pureza, mas em muitos casos de modo incompleto, antes que Jesus a propusesse solenemente.

Não era, pois, difícil entender o Salvador, quando ele faz ressoar por toda a Galileia o evangelho do reino, porque essa boa nova já havia sido anunciada há muito tempo e, um pouco antes dele, por seu precursor João Batista, que o fizera com ardente zelo. Mas era necessário consertar aquilo que se tinha enveredado pelo mau caminho no espírito do povo. Era necessário levar á perfeição p que era bom. Era necessário erguer a esferas superiores aquilo que ainda não havia sido revelado em toda a sua extensão. E, para isso, voltar ao magnífico ideal dos profetas e, ainda, ultrapassá-lo.

Por isso, Jesus, rejeitando as mesquinhas e vulgares ideais da maior parte dos seus compatriotas, desembaraçando a noção do reino de Deus das quimeras da escatologia judaica, protestando singularmente contra a pretensão dos fariseus e dos escribas de dar às esperanças messiânicas uma tendência puramente exterior e política e de transformá-las em monopólio da nação judaica, ele não cessou de manifestar sua natureza espiritual e sua índole universal.

Basta recordar alguns textos que, entre outros muitos do mesmo gênero, destacam esta dupla condição. À pergunta de Pilatos: Tu és rei? – Jo 18:37 -, Jesus deu resposta afirmativa, mas acrescentou que seu reino não era deste mundo – Jo 18:36; antes de tudo, era um reino interior, que se refere ao espírito e ao coração. Daí que as obrigações impostas aos cidadãos de seu reino sejam principalmente espirituais e consistam em qualidades morais e em virtudes, como se pode ver pelas bem-aventuranças, por todo o conjunto do Sermão do Monte e de outras passagens dos evangelhos – Mt 18:4. Daí também que este reino se estabeleça, antes de tudo, na alma, e não por conquistas exteriores.
A universalidade desse reino não é menos evidente. Somente Satanás e seus anjos não poderão entrar nele. O direito de preferências para o ingresso de entrada neste reino havia sido reservado aos judeus, como povo teocrático. Mas Jesus os adverte, assim como antes havia feito João Batista, de que, se eles não cumprissem as condições requeridas, o reino de Deus lhes seria tirado e dado a uma nação que desse fruto – Mt 21:43. E essa nação seria formado por pagãos e pecadores, cujas vidas seriam transformadas – Mt 21:31.

Em outra parte, na doutrina do Salvador, o reino dos céus se apresenta com relação ao seu estabelecimento, como algo presente e já fundado, bem como um acontecimento futuro. A expressão é, pois, complexa, por causa de sua própria riqueza. Mas é fácil distinguir seus vários aspectos, que manifestam outros tantos aspectos do reinado descrito por Jesus.

A fundação real do reino data do instante em que o nosso Senhor Jesus Cristo começou a pregá-lo. Por isso, Jesus afirmou: O Reino de Deus não vem com aparência exterior: Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós – Lc 17:20-21. Em outro lugar disse: Desde os dias de João batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele – Mt 11:12. E prosseguiu com seus comentários: Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele – Mc 10:15.

Contudo, como o reino divino estava destinado a alcançar um crescimento cada vez maior, Jesus o descreveu melhor também como uma realidade futura em várias parábolas do reino que representam os progressos mais ou menos rápidos deste crescimento – Mt 13:24-3-33; Mc 4:26-29. A plenitude do reino de Deus só alcançará a sua consumação no período que hoje se costuma chamar de escatológico, porque será no fim dos tempos, quando Cristo retornar glorioso para o juízo final – Mt 19:28-19; 22:29-30; 24:29-35; Mc 13:24-34; Lc 21:25-33; Jo 5:28-29.

Nesse tempo, quando a morte e o pecado já estiverem destruídos, e a natureza inteira estiver regenerada, Cristo, conforme a doutrina de Paulo – 1 Co 15:24-28 -, resignará seus poderes – sem deixar de ser rei – nas mãos de seu Pai celestial, e o reino de Deus brilhará em todo o seu resplendor, em toda a sua santidade, e sua duração será eterna.

Enquanto esperamos por esta venturosa eternidade, o reino de Deus, se apresenta aqui na terra. Um reino cujas primeiras bases Jesus estabeleceu durante sua vida mortal, como uma poderosa organização: usa Igreja. Jesus assentou os fundamentos dela sobre uma rocha inabalável: ele próprio – Mt 167-18.

Jesus deixou seus apóstolos como líderes – sob a proteção do Espírito Santo e de sua sábia lei. O Senhor Jesus dotou a Igreja com sua graça e prometeu-lhe assistência até o fim – Mt 28:20. A Igreja lutará com e por Jesus até transformar-se em uma Igreja triunfante e viva para sempre, junto dele, feliz e gloriosa.

A Igreja lhe pertence, já que Jesus é o seu fundador e a dirige dos céus. Por isso, a ele é atribuído, ao lado de seu Pai, o governo deste reino, um reino real, cuja história acabamos de descrever – Mt 16:28; 20:21; Ef 5:5; Cl 1:13; 2 Tm 4:1.

Tais são os principais aspectos do reino anunciado por João Batista e por Jesus Cristo. Uma análise de 119 passagens, em que se acham expressões reino dos céus e reino de Deus demonstra que elas significam, em conjunto, o governo divino, tal como fora revelado em e por Cristo, e tal como se apresenta visível na Igreja.

A Igreja se desenvolve pouco a pouco, apesar dos obstáculos que encontra, mas triunfará plenamente quando ocorrer o segundo advento de Cristo e, por fim, alcançará sua perfeição no mundo futuro. Convocamos o reino de Deus em todas essas formas, e fazemos isso muitas vezes, durante todos os dias, sempre que repetimos a formosa oração que Jesus nos ensinou: Venha o teu reino – Mt 6:10; Lc 11:2.

Por: Pr Euler P. Campos- maio de 2012